Fechar a Avenida Paulista: um grande erro

 

A ideia de fechar as vias para deixá-las à disposição dos moradores é uma boa medida, mas essa ação do Governo Municipal deve ser aplicada em locais onde não existam equipamentos de lazer e também onde a população realmente necessite de divertimento.

 

Sabemos que a Avenida Paulista é cercada por pelo menos 20 hospitais, tem faixa de ônibus, tem uma boa ciclovia construída recentemente no canteiro central e, no entorno, tem três parques: Trianon, Parque Mário Covas e Parque do Ibirapuera, ou seja, uma área que não carece de opções de lazer e não é uma prioridade nesse momento.

 

Recentemente veio à tona que a Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo já havia firmado com a Prefeitura um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) muito bem pensado e que desde 2007 estipula o fechamento da via para veículos apenas três vezes ao ano: nos dias da Parada de Orgulho Gay, Corrida de São Silvestre e ainda Réveillon da Paulista, quando ocorre uma grande festa no local.

 

Nesta linha, a Prefeitura deveria, sim, fechar ruas, mas em regiões adequadas, distantes do centro, como por exemplo Parelheiros (zona sul), Itaim Paulista (zona leste), São Miguel Paulista (zona leste), Capão Redondo (zona sul), Parque Edu Chaves (zona norte) e não na Avenida Paulista, que é um dos últimos locais que deveria receber este tipo de ação. Existem centenas de endereços que não têm parques, não têm praças e tampouco equipamentos de diversão.

 

Não se pode esquecer a questão da segurança da área pode ficar comprometida, pois haverá um afluxo maior de público nas imediações, aumentando o número de ocorrências policiais, sem falar no trânsito nas vias adjacentes, que ficará muito prejudicado, uma vez que os carros e itinerários de ônibus serão desviados para ruas próximas. As ruas paralelas suportam mais esse volume de carros e ônibus?

 

É claro que o Ministério Público de São Paulo é um dos maiores defensores da população. E o fato de terem aplicado a multa de R$ 50.101,49 à Prefeitura de São Paulo significa que o caminho escolhido pelo Governo Municipal não é a melhor alternativa e por isso deve ser repensado com urgência.  A Prefeitura precisa rever essa determinação. É o que todos esperam.

 

Para se ter uma ideia, os próprios moradores da Paulista não foram escutados. A Associação Paulista Viva, importante entidade que zela pela região é contra o fechamento. As pessoas que passam por lá durante o trabalho são contra esse fechamento.

É um erro fechar a Paulista do jeito que está sendo feito, é contra a vontade da maioria que mora, trabalha e frequenta o local. Isso deve ser reavaliado.

 

 

Coronel Alvaro Camilo

Deputado Estadual

 

*Publicado no Jornal Estação, em 28 de outubro de 2015

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