Um ouvidor que não ouve e um adjunto que não vê

 

 

Infelizmente, a Polícia Militar do Estado de São Paulo recebe mais uma vez apunhaladas de um ouvidor-adjunto que repete os mesmos vícios do seu titular. Ele mais fala do que ouve. E pelo visto, também não vê.

 

Em entrevista publicada no jornal Folha de S. Paulo no dia 20 de janeiro, Walter Forster Júnior, ouvidor-adjunto das polícias do Estado, reforçou uma falsa oposição entre polícia e sociedade. Como já havia afirmado em posicionamentos anteriores, sou contra esta polarização, pois ela só prejudica a sociedade e beneficia o crime.

 

Na entrevista, o ouvidor diz que a “Polícia Militar deveria estar mais preparada para não se ofender tanto”. Porém, pergunto. Estava lá o ouvidor para ver o que realmente ocorreu nas manifestações? Estava ele na linha de frente para acusar a polícia com tanta propriedade?

 

É comum que ouvidores tirem conclusões a partir das denúncias que recebem, mas poucos são aqueles que se predispõem ao contraditório. Por que os policiais raramente são ouvidos quando são acusados? Antes de apurar os fatos, o ouvidor preferiu falar à imprensa, generalizando e expondo ao julgamento sumário milhares de homens e mulheres que arriscam todos os dias as suas vidas para proteger o cidadão.

 

Nas manifestações do Movimento Passe Livre, já ficou comprovado por diversas vezes o envolvimento de vândalos e pessoas infiltradas por grupos políticos apenas com o intuito de promover a desordem. Prova disso são as armas, bombas e artefatos que muitos portam consigo durante as manifestações, a destruição do espaço público e a hostilidade contra as forças de segurança. Muitos destes “jovens”, que supostamente exercem a democracia, estão longe de serem vítimas de um sistema opressor.

 

O ouvidor afirma que “como defensor de direitos humanos”, tem de olhar os dois lados. Isso ele não está fazendo.

 

Walter cita que os policiais forjaram provas, insinuando que objetos são colocados nas mochilas dos manifestantes assim como “colocariam armas nas mãos de pessoas assassinadas”. Diz que o policial militar trata o cidadão como inimigo, o que não é verdade. O treinamento da polícia tem como objetivo não enfrentar o cidadão, mas o infrator da lei. O ouvidor-adjunto incorre em generalizações, alegando que os policiais que querem trabalhar “perdem a autoestima e saem da polícia”.

 

Como ex-comandante geral, posso afirmar que a maioria esmagadora dos policiais atua de forma correta e ordeira, em conformidade com as leis. A maioria tem orgulho de ser militar. A única coisa que faz com que muitos desistam da carreira é a baixa remuneração, sem ter nem mesmo recebido o reajuste previsto na Constituição no último ano, e a falta de reconhecimento por parte da população e imprensa. Isso sim podemos dizer que desestimula qualquer profissional.

 

A Polícia Militar do Estado de São Paulo é uma instituição séria que zela pelas regras de convívio social e de direitos humanos. A sua função primordial é promover a ordem pública e tem a obrigação de atuar quando esta ordem é ameaçada. O ouvidor-adjunto cita fatos minoritários que fogem ao padrão de comportamento de toda a Corporação.

 

Lamentável que uma função tão importante como a ouvidoria esteja empenhada em denegrir o trabalho da Polícia Militar, vital para a segurança pública de todos nós.

 

*Artigo publicado no Jornal Estação SP em 27/01/2016

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