Artigo: "Bananas e Laranjas"

 

Muito tem se falado que no Brasil as polícias estão matando cada vez mais. E pior: que esse número tem superado o dos Estados Unidos e da Inglaterra. Estão cometendo um erro crucial. As realidades são completamente diferentes. Nesses lugares, existe uma cultura diferente, existe uma economia diferente e, principalmente, existe uma legislação totalmente diferente: uma legislação firme e que defende o agente de segurança.

 

Os noticiários mostram que são, em média, 3.022 mortes em confronto policial no Brasil e 461 mortes nos Estados Unidos. O que temos no Brasil é o reino da impunidade. Vejam, o infrator da lei se sente à vontade para cometer o crime, pois sabe que dificilmente será pego e, caso isso ocorra, não será punido e ficará pouco tempo na prisão. Temos ainda no Brasil ‘figuras’ como a progressão de pena, a saída temporária e outros benefícios que acabam criando esse sentimento na impunidade.

 

Nos Estados Unidos e Inglaterra, o crime contra um agente da lei é severamente punido. No Brasil, não! Por isso que os criminosos enfrentam a polícia, diferente dos outros países. Outra coisa que pouco se fala: aqui no Brasil perdemos muitos policiais. Só neste ano temos 47 mortos em serviço. Temos os feridos, como é o caso da Soldado Adriana, que foi atingida por um tiro de fuzil e está em recuperação e o Sargento Turíbio, que foi baleado em ocorrência semelhante e ainda está no hospital.

 

Recentemente, o Soldado Anderson de 21 anos foi morto por estar fardado. Essa realidade não é a mesma daqueles países. Por isso é um grande engano fazer essa comparação. É comparar banana com laranja. Nós temos que estudar a fundo as coisas da violência aqui no Brasil e parar de comparar situações que são incomparáveis.

 

Na minha visão, como profissional de polícia, a maior causa da violência é o sentimento da impunidade.  Enquanto não modificarmos a legislação teremos esse problema – por mais que as polícias trabalhem. A PM, por exemplo, realiza mais de 140 mil prisões em flagrantes por ano. Cada ano aumenta o número de prisões e mesmo assim a criminalidade está aí, aguerrida e enfrentando o policial.

 

Temos que investir fortemente na educação. Trabalhar na causa. Enquanto a policia trabalha na consequência – prendendo, fiscalizando e encarcerando os infratores da lei, nós temos que trabalhar no outro lado para que nossos jovens passem a ter valores e saibam viver em sociedade e evitem problemas como temos visto hoje. A saída para tudo isso é cada um fazer a sua parte, exercer a cidadania, preparando os jovens e ao mesmo tempo retirando de circulação os que não podem estar no seio da sociedade.

 

* Publicado no Jornal Estação em 7 de outubro de 2015.

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